Teorias que ampliam e aprofundam a capacidade de ver: Mondrian, Kandinsky e Klee.

De milhares de pessoas que recorrem à Internet para obter informações sobre Piet Mondrian 353 já acessaram o post deste Trevo do Talvez intitulado Piet Modrian: uma síntese de teorias fundamentais para quem quer aprender a ver.

 A rigor, o post é uma coletânea de anotações que fiz no meu Diário entre os dias 19-4 e 19-7-1990, quando conclui a leitura de uma biografia dele por Frank Elgar.

 Pois bem, neste final de semana (4 e 5 de julho de 2009) estive relendo uma coletânea de anotações diversas de um período bem mais vasto do meu Diário na qual me deparei com muita coisa relacionada com Mondrian e decidi produzir um post com um conjunto delas.

 Vou publicar um conjunto hoje e outro proximamente. Dedico este primeiro conjunto à única pessoa que fez comentário sobre o post anterior, Alana, que o assinou em nome de “Fãns de Piet Mondrian e Kandinsky.

 Entre os pintores notáveis que são também teóricos notáveis eu junto a Piet Mondrian e Wassily Kandinsky, Paul Klee. Tendo em vista que Alana e companheiros e companheiras gostam do primeiro e do segundo, certamente gostarão do terceiro.

 Da referida coletânea constam anotações a respeito dos três, além de algumas considerações relacionadas à obra deles feitas pelo crítico Herbert Read, que vou me permitir reproduzir.

 Ao contrário do post intitulado Piet Modrian: uma síntese de teorias fundamentais para quem quer aprender a ver, neste não poderei localizar todas as citações, que reproduzo segundo a ordem da coletânea produzida em 1993.

Paul Klee (1879 - 1940) pintava indistintamente com as duas mãos.

Paul Klee (1879 - 1940) pintava indistintamente com as duas mãos.

 De Paul Klee:

 A arte não reproduz o visível; torna visível.

 O desenho, pela própria natureza, conduz fácil e muito naturalmente à abstração… Quanto mais puro for o trabalho gráfico, quer dizer, mais se acentuarem os elementos da forma que estão na base da representação gráfica, menos se devem representar as coisas visíveis de modo realista.

 Os símbolos consolam o espírito.

 Que felicidade pode haver em duas linhas!

 O caminho inferior chega ao domínio das formas estáticas, enquanto o caminho superior dá acesso ao domínio dinâmico.

 No caminho inferior, que passa pelo centro da terra, situam-se os problemas do equilíbrio estático, que poderíamos caracterizar por palavras: ficar de pé, contra tudo o que pode fazer-nos cair. Somos conduzidos aos caminhos superiores pela necessidade de conter os laços que nos prendem à terra e atingir, através da natação e do vôo, a atividade livre, a liberdade dos movimentos.

 Todos os caminhos se situam no olhar e, transpostos para a forma a partir do deu ponto de encontro, conduzem à síntese da visão exterior e da contemplação interior…

 No trabalho em que transforma a experiência adquirida através dos diferentes caminhos, o aluno denuncia qual foi o grau de intimidade do seu diálogo com a natureza. Quanto mais progredir no exame desta e na sua meditação, quanto mais conseguir uma verdadeira concepção do mundo, mais ele será capaz de criar livremente as composições abstratas que, para lá do arbitrário e do esquemático, atingem um novo natural, o natural da obra. Cria então uma obra, ou participa da realização de uma obra que equivale à criação de Deus.

 De Piet Mondrian:

 A arte tem que determinar o espaço bem como a forma e criar a equivalência destes dois fatores.

 O principal problema das artes plásticas não é evitar a representação dos objetos, mas ser tão objetivo quanto possível.

 Se a visão objetiva fosse possível nos daria uma verdadeira imagem da realidade.

 Toda expressão artística tem suas leis, que concordam com a lei principal da arte e da vida: a lei do equilíbrio.

 Somente por meio do conhecimento técnico se pode ter uma verdadeira expressão das artes plásticas. O aspecto técnico consiste no uso dos meios de expressão, volumes, planos, linhas, cores, e no desenvolvimento destes meios de expressão até seu estado puro.

 O que é verdadeiro em arte, também deve sê-lo na vida humana.

 A preocupação por meios de expressão mais neutros se manifesta claramente em toda arte moderna.

 Deve-se criar possibilidades de expressão o conteúdo de vida de modo mais intenso e puro.

 É importante compreender que as novas construções não devem ser criadas sob influência do passado: não devem ser repetições do que já foi expresso. A arte moderna rechaça os métodos de expressão usados no passado, mas desenvolve seu verdadeiro conteúdo. Continua aquilo que a arte do passado começou: a transformação da visão natural. Aquilo que a arte do passado levou a cabo de uma maneira mais ou menos invisível devido à opressão da época, a arte moderna realiza de forma mais visível.

 De Herbert Read, em Arte de agora, agora:

 As obras de arte “eternas” – as isentas da modalidade do gosto e da moda – são as que se baseiam na sensibilidade individual, com exclusão de todos os motivos conceituais ou “ideológicos”.

 É, por certo, perfeitamente natural que as pessoas sempre procurem simbolismo em obras de arte. Uma vez que a maioria das pessoas é incapaz de perceber o significado de relações puramente formas, é incapaz de tirar delas a profunda satisfação que o criador e aqueles que o entendem sentem, elas sempre procuram algum significado que possa ser vinculado aos valores da vida real, sempre esperam traduzir uma obra de arte em termos de ideias com as quais estão familiarizados. No entanto, quanto mais um artista é puro, mais se opõe a todo simbolismo.

 Ninguém que possua um real entendimento da arte da pintura atribui qualquer importância ao que chama de o tema de uma pintura – o que é representado.

 Uma das tarefas mais difíceis da crítica contemporânea de arte é distinguir entre um uso construtivo da abstração e outro ornamental.

 Read cita Kandinsky: “O novo naturalismo não só será equivalente, mas idêntico à abstração”.

 O que é necessário – afirma Kandinsky – é uma forma de arte que interesse menos ao olho e mais à alma; não construções geométricas obvias, mas formas (configurações) que emerjam despercebidas na tela.

 Embora o método de Kandinsky fosse deliberado, não era verbalizado. Uma imaginação visual precisa pode ser animada por processos de formação no inconsciente – na verdade, semelhante imaginação precisa faz-se necessária para compreender as formas sugeridas pela fantasia.

 De Wassily Kandinsky, em Ponto, linha, ponto:

 Olhos abertos e ouvidos atentos transformam as mínimas sensações em acontecimentos importantes.

 A facilidade não se obtém sem esforço.

 Não são as formas exteriores que definem o conteúdo de uma obra pictural, mas as forças – tensões que se vivem nessas formas.

Um haicai para saudar o Inverno no Sul do Brasil

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Mais ama não aquele que mais perdoa, sim aquele que menos precisa ser perdoado.

No decorrer da década de 70 era muito popular e, conforme percebi numa vista d’olhos no Google, continua viva a série de frases iniciadas por Amar é…, fórmula na qual se encaixa com perfeição tanto muito coisa bela e sábia, quanto mais coisa ainda insignificante e feia.

Edward Hopper (1882-1967) Summer Evening, 1947

Edward Hopper (1882-1967) Summer Evening, 1947

Nunca me dediquei a definir os sentimentos mais significativos dos seres humanos, entre eles o amor, por entender que dezenas de pessoas mais capazes do que eu já o fizeram de maneira mais que satisfatória.

Na semana passada, porém, refletia sobre um relacionamento afetivo e, a partir de duas observações muito simples, me convenci de que não era amado: primeiro, a pessoa não faz muita questão de falar comigo; segundo, faz menos questão ainda de me ver.

Como resultado, cheguei ao seguinte entendimento do que vem a ser amar:

Amar é sentir intensamente, de modo intermitente, falta da conversação ou da presença que repercute no coração.

Como estamos às vésperas do Dia dos Namorados, achei que seria apropriado tomá-la como pretexto para mais um post deste Trevo do Talvez, do qual tenho me descuidado nos últimos meses.

Devo informar que, há mais de um ano, a mesma pessoa que suscitou o conceito de amar, me levou à conclusão que empreguei como título deste post muito desapaixonado.

Saudade do “veranico de maio” em Curitiba

Quem quer que more ou tenha morado por mais de um ano em Curitiba seguramente ouviu falar em “veranico de maio”.

Aqueles que passaram por um Outono rigoroso fatalmente guardam na memória umas duas semanas de céu claro e calor que interrompem o longo período de cinza e frio.

Morando em Salvador, nesta segunda e terça-feira, 25 e 26, me senti em meio ao veranico de lá, tão prolongado tem sido o período de chuvas este ano por aqui.

E recordei de um poema que escrevi neste período, morando no Jardim das Américas.

Ei-lo:

Enigmática, clara e quenteSibipiruna 2

a tarde de maio começa.

Os Bem-te-vis cantam.

Encantam.

Aprendem a cantar melhor.

Estudam,

ensaiam à sombra das Sibipirunas

da Praça Bento Muçurunga,

o compositor.

O povo baiano é preguiçoso, escreve o secretário de Cultura do Estado da Bahia.

Faz parte do folclore nacional o emprego do adjetivo MALEMOLENTE para descrever o povo baiano. O emprego do adjetivo PREGUIÇOSO com o mesmo objetivo, por sua vez, além de não corresponder à realidade, caracteriza uma ofensa.

Escultura em bronze de Caribé: “Mãe baiana” – 1984

Escultura em bronze de Caribé: “Mãe baiana” – 1984

 

“Nos acostumamos a ser esse povo acolhedor, alegre, hospitaleiro, malemolente, sensual, preguiçoso…”

 

A frase acima, transcrita na íntegra, é de autoria do secretário de Cultura do Estado da Bahia, Márcio Meirelles, e faz parte de um texto dele publicado no catálogo da atual exposição, no Museu de Arte Moderna da Bahia, em Salvador, de obras do argentino Hector Julio Paride Bernabó.

 

Para os poucos que não sabem, trata-se de Carybé, notável e multifacetado artista a quem Deus não concedeu “a graça de nascer na Bahia”, conforme ele declarou certa vez a uma pessoa que lhe perguntou se era baiano.

 

Que o secretário de Cultura do Estado da Bahia não sabe falar em público eu já sabia. Neste sábado, 16, ao folhear o referido catálogo, fiquei sabendo que, a rigor, também não sabe se expressar por escrito.

 

Para se convencer disso, basta ler o que ele escreveu.

 

E prefiro pensar que ele desconhece o real significado do adjetivo PREGUIÇOSO.

 

P. S. 1 A título de esclarecimento: Adjetivo e substantivo masculino, de acordo com o Dicionário Houaiss, PREGUIÇOSO é 1 – o que ou aquele que tem preguiça; mole, desanimado, indolente; 2 – o que ou aquele que não trabalha ou estuda; vadio, malandro, mandrião; 3 – o que ou aquele que faz as coisas com vagar e sem muito empenho ou capricho.

 

Adjetivo de dois gêneros, MALEMOLENTE, por sua vez, é um regionalismo que significa o que demonstra ou em que há MALEMOLÊNCIA.

 

É o seguinte o conjunto de significados de MALEMOLÊNCIA citados pelo dicionarista: 1 – Ausência de disposição; moleza, indisposição; 2 – má sorte; caiporismo, desdita; 3 – calma excessiva; falta de empenho; fleuma, pachorra; 4 – Ardil ou desculpa para evitar (algo); subterfúgio, pretexto; 5 – Jogo de atitudes, gestos, jeito de falar ou mover-se que denota qualidades diversas, mas consideradas positivas (como a manha, a malícia, a elegância, a destreza), de alguém; molejo.

 

No campo da música, MALEMOLÊNCIA tem estes significados: ritmo gingado, característico da interpretação de certos cantores de samba, dançarinos, ou modo característico de portar-se dos antigos malandros; molejo.

 

MALEMOLÊNCIA é, portanto, coisa distinta de PREGUIÇA.

 

P. S. 2 A propósito de preguiça, nas páginas centrais do catálogo da exposição, que comemora os 70 anos da primeira viagem de Carybé a Salvador, lê-se o seguinte depoimento dele: “Sou um operário do pincel e trabalho uma média de quatorze horas por dia e não me desligo. É um trabalho que continua na cabeça, de noite. A famosa vida de artista é filha da mãe de trabalho, não tem nada a ver com que o pessoal pensava em 1890, de Toulouse Lautrec, de farras, música e cabaré. O que existe é trabalho, treino, porque, se você pára de trabalhar, esquece, perde a prática. Para mim, inspiração é o dia em que amanheço melhor e as coisas saem com mais facilidade. Artista tem que dormir as horas necessárias e se alimentar bem”.

Lucubração em Diário: quem é maior, o pintor, o músico, o poeta ou o filósofo?

Tenho me sentido em dívida com as duas dezenas de pessoas que transitam diariamente por este Trevo do Talvez por não me ocupar dele há muito tempo. Movido pelo sentimento de culpa, trouxe hoje (15/5/09) para o local de trabalho um conjunto de textos do meu Diário que reuni em algum momento de 1993, convencido de encontrar entre eles alguma coisa digna de virar um post. (Foto: José M. Rodrigues / www.triplov.com)

Rodin: “...beleza bastante para sustentar o entusiasmo.”

Rodin: “...beleza bastante para sustentar o entusiasmo.”

 

Optei por uma série de anotações feitas não sei em que data e local, transcritas entre 24/5 e 16/7 de 1991, em Natal-RN, e reunidas sob o título Sobre arte, que passo a transcrever com eventuais aprimoramentos, acréscimos ou comentários, estes antecedidos da sigla P. S.

 

Tenho lembrado muito de Oscar Wilde a dizer que “Somente as pessoas superficiais não julgam pela aparência…” Realmente, um gesto nos informa sobre o íntimo de uma pessoa; sobre o estágio deste íntimo, naturalmente.

*

Você imagina aprimorar o gosto musical lendo partituras?

Absurdo, não é?

Este aprendizado se dá através do órgão da audição.

A observação vem a propósito de pessoas à minha volta imaginando que ouvindo Wando não estão estragando o gosto musical; que não vão acabar detestando Mozart.

 

P. S. Eu escrevi em outro momento que ouvir certo tipo de música equivalente literalmente a consumir alimento estragado.

*

Resultado do que aprendi com Van Gogh e Rodin: os pintores e os escultores nos ensinam a ver a beleza da natureza. Quando nos sensibilizamos, através dos quadros, ao ponto de usufruirmos dessa beleza, os quadros se tornam dispensáveis: basta abrir a janela.

 

P. S. Vem daí Rodin dizer que “na moldura de uma janela há beleza bastante para sustentar o entusiasmo”.

Sigo achando que os pintores e os escultores nos ensinam a ver. Mas entendo que, na pessoa inculta, a insensibilidade ao prazer estético é uma grau de ignorância em matéria de sofrimento; é principalmente da experiência da dor que decorre nossa riqueza espiritual.

*

Quer ver o quanto sou incompetente?

Demorei anos até me dar conta de que observando trabalhos de arte plástica estava aprimorando minha capacidade de contemplar a natureza; procurava neles o que não se encontra, que é resposta para a condução da minha vida no sentido da felicidade.Esta fui retirar da leitura de dezenas de livros, basicamente – pois a experiência é fundamental – como é óbvio. Mas eu não sabia; até aprender.

*

O pintor é, desta forma, um intermediário; comparado com o músico, inferior. O músico, por sua vez, parece-me um artista inferior ao poeta, no sentido de que é dos três o que mais participa da obra, quero dizer: aquele que dá mais de si próprio para expressão do belo.

Para formular um raciocínio comparativo à base de percentuais: o artista plástico – o pintor, especificamente, pois que me parece mais amplo o trabalho do escultor, por exemplo – entra com 20% de seu, o músico, 50% e o poeta, 70%.

Minha conclusão: o maior dos artistas é o filósofo.

*

COMENTÁRIO INTERCALADO EM NATAL:

Levei a transcrição até o fim para mostrar como é que se escreve tolices.

E prossegui conversando comigo.

*

O poeta é tanto mais poeta quanto mais se aproxima do filósofo: eis a razão da fama de Goethe. Filosofia sem poesia é intragável: eis a razão da fama de Schopenhauer.

Eis por que Nietzsche é tão louvado: é mais poeta que filósofo.

Aliás, como filósofo é discípulo de Schopenhuaer.

Eis, finalmente, quanto é difícil para mim realizar meu mais profundo desejo de infância. Isto considerando, como não poderia deixar de ser, a energia que gasto cuidando da subsistência.

Van Gogh chegou onde chegou graças a Theo; e não foi mais adiante porque este, casado, não pôde continuar assegurando a subsistência dele como artista.

Daí a morte de Theo quatro meses depois dele.

Outono em Curitiba

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Daqui por diante só me ocuparei do individual.

O jornalista Reinaldo Azevedo, notável blogueiro, encerra a resenha do filme As Invasões Bárbaras, que faz parte da coletânea em livro dele intitulado Contra o Consenso, afirmando o seguinte:

Foto André Kertész (1894-1985)

Foto André Kertész (1894-1985)

 

“… se existe saída, ela está na esfera INDIVIDUAL. O coletivo nada mais é do que uma eterna luta renhida. Sem desfecho”.

 

Eu concordo.

 

E concordo numa medida tão profunda que estou decidido a parar de me ocupar com as questões do coletivo, voltando-me inteiramente para aquelas relacionadas ao individual.

 

Com isto quero dizer que daqui por diante me dispensarei de tentar provocar mudanças a partir do coletivo, voltando-me exclusivamente para o individual.

 

Estou absolutamente convencido de que estava muito certo Ludwig Wittgenstein quando dizia que a única coisa que podemos fazer para melhorar o mundo é melhorar a nós próprios.

 

Amplio o afastamento das coisas da política, dos políticos; afastamento referido no texto sobre Conteúdos e atitudes – Ver banner – deste Trevo do Talvez.

 

Para não sair à francesa, fiz as anotações que se seguem a propósito de notícias recentes sobre gastos com ligações telefônicas de senadores e com reforma de apartamentos de deputados federais.

 

Para compreender e para combater políticos

 

Não se sentem culpados; julgam que estão sendo remunerados pelos serviços que prestam.

 

No máximo admitem que cobram caro por suas reais preocupações com o bem-estar coletivo.

 

Pelas virtuais, também.

 

O que abominam é se sentirem constrangidos.

 

Daí o empenho da maioria em limitar ao máximo a liberdade de expressão.

 

Engano imaginar que são indiferentes ao ridículo; quase ninguém o é.

 

Do conjunto da humanidade, aqueles que o são não devem somar nem um por cento.

 

Nesta e em outras partes do planeta o comportamento em questão tem raízes históricas.

 

Cito Octavio Paz na biografia de Sóror Juana Inês de la Cruz:

 

“A Nova Espanha era uma sociedade na qual o príncipe considerava o governo seu patrimônio privado e os funcionários seus servidores e familiares”.

 

No Brasil, o Novo Portugal, também o era.

 

Segue sendo em grande medida.

 

Está certo Chamfort quando escreve que “apesar de as corporações (parlamentos, academias, assembléias) se degradarem, elas acabam por se manter graças à sua massa e nada podemos fazer contra elas. A desonra, o ridículo resvalam nelas, como as balas de fuzil sobre o couro de um javali ou de um crocodilo”.

 

Realmente.

 

Generalizada, a crítica mais radical não atinge ninguém, não muda nada. Gumercindo Bessa (1859-1913), o advogado sergipano cujo saber jurídico deu origem à expressão Bom a bessa, tinha por princípio que nada se faz contra as opiniões se não forem atacadas as pessoas.

Outono no Paraná

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Carnaval em Salvador: uma história real.

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