Não me ligo em coisas de igrejas, mas foi do emprego freqüente em uma delas, a Católica Apostólica Romana, que me veio um vocábulo que apliquei automaticamente ao novo livro do jornalista Reinaldo Azevedo: Breviário.
Não preciso de Freud para explicar que deve ter sido uma somatória do formado com o proclamado vínculo religioso do autor.
Ler e reler e reler e reler… Máxima de um país mínimo é quanto basta para deixar de ser petista.
O tratamento completo para lulismo requer outras ferramentas. Afinal, trata-se de um complexo mais complexo, pois inclui carisma.
Não se depreenda daí, porém, que petismo seja algo assim como uma dorzinha de cotovelo ou um simples resfriado.
De acordo com Reinaldo, o petismo é como uma contaminação radioativa: Deixa um resíduo tóxico de longuíssima duração e cria deformidades. Sobretudo morais e intelectuais.
Optei (Freud novamente dispensado) por escrever este post em razão do espaço de comentários no blog do Reinaldo ser limitado a 750 toques, se não me engano. Feito este esclarecimento, vamos de imediato à máxima que considero a obra-prima do Breviário:
Os meios qualificam o fim.
É o que chamo de óbvio significativo num livro em elaboração, escrevendo o seguinte:
É digno do adjetivo perspicaz aquele que primeiro se dá conta do óbvio significativo. Vem daí Thomas Huxley ter dito o que se segue, a propósito da descoberta do processo de evolução das espécies por Charles Darwin e Alfred Wallace: Que imensa estupidez não ter pensado nisso!
No meu livro, antecedo o fragmento acima destas duas observações:
1 – É do óbvio que a maioria precisa se conscientizar.
2 – O tolo imagina que estar preparado para o óbvio equivale a ser catedrático em mesmice.
Em seu Caderno de Tudo e Nada Macedônio Fernández defende a seguinte tese sobre genialidade:
“A única garantia de que um homem seja gênio é chegar a inventar um provérbio; o provérbio inventado individualmente é um vino viejo improvisado: a velhice do novo, muito difícil e extraordinariamente vantajosa.”
No Breviário do Reinaldo Azevedo encontramos vários.
Escolho um deles – O homem comum é uma ficção da demagogia. – para poder contar uma historinha relacionada com o filósofo e escritor argentino amigo de Jorge Luis Borges.
No citado livro, Macedônio Fernández revela-se pouco modesto ao anteceder a exposição da tese sobre genialidade da citação do que denomina “quase provérbio meu”, escrevendo: Hombre en escalera no vale una pêra.
Certa vez, citei-o no idioma original em conversa com o proprietário de um bar localizado no Campo da Pólvora, em Salvador. Constrangido com minha malfadada tradução – Homem em fileira não vale uma pêra. – troquei o péssimo homem em fileira por homem comum.
Sem tempo para lastimar a perda da rima com pêra do original, recebi a ajuda inesperada e realmente genial do Waldir, que traduziu o “quase provérbio” assim:
O homem comum não vale uma jerimum.
Volto às anotações que fiz em meu Diário no decorrer da leitura do Breviário. Devo observar que em muitas delas, senão em sua maioria, dirijo-me diretamente ao autor, pois a idéia inicial, conforme foi dito acima, era apenas fazer um comentário no blog dele.
Feito este esclarecimento, vamos à quase transcrição das anotações.
Surpreso com a ausência de referência explícita à muito louvada por você inteligência do Lula, aproveito para lhe dizer que ao insistir em alguns comentários na tese de que você poderia se dispensar de louvar sistematicamente a inteligência dele eu, a rigor, apenas compartilhava deste imperativo ético proposto por você: Atrapalhar os petistas!
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Receio que você tenha razão quando escreve o que se segue a respeito de instrumentos de percussão: Estou convicto de que a importância de uma civilização é inversamente proporcional à variedade de seus instrumentos de percussão.
Espero que o Carlinhos Brown, talvez em parceria com o sogro, faça a respeito alguma digressão.
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Vou me permitir especular sobre a hipótese de um erro no primeiro texto do tema Justiça. Um erro de difícil correção, devido à metáfora à qual está relacionado.
De qualquer modo, entendo que poderia ser formulado assim:
A Justiça é cega para que possa enxergar com imparcialidade, não para fazer Justiça cega.
Ou assim:
A Justiça é cega para ser imparcial, não para fazer Justiça cega, parcial.
A sua máxima é esta:
A Justiça é cega para que possa enxergar, não para fazer justiça cega.
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Entendo que você foi injusto com a modéstia, que entendo como a arte de curtir orgulho em silêncio, quando se tem mérito digno de glória. Entendida esta da forma que a entendia Montaigne: conseqüência de uma coisa útil, excepcional e difícil.
Escrever, como você o faz, que modéstia “é a vaidade que espera aclamação” é o que chamo de fazer frase.
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A anotação que se segue ao que transcrevo abaixo, seu, é pura lucubração lúdica minha: Ópio do povo – Os marxistas acusaram a religião de ópio do povo. Raymond Aron deixou claro que foi o marxismo que deu ao homem a real ilusão da onipotência, tornando-o o ópio dos intelectuais. Deus é mais modesto do que Marx e aceita a imperfeições…
Fala-se tanto em ópio do povo para abafar o pio.
Ou, à maneira de RA:
As esquerdas esbravejam tanto contra o ópio do povo para que ninguém ouça o pio.
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Preciso saber com urgência o que vem a ser oração subordinada. Talvez Reinaldo Azevedo até me despreze por essa falha em meu conhecimento. Afinal, ele (Ou teria sido Dona Reinalda?) não publicou um comentário meu a um post dele no qual eu defendia a seguinte tese: Aprende-se a escrever lendo; rigorosamente falando, com toda a gramática do mundo você não escreve bem nem um bilhete.
Por enquanto, vou ver se o Aurélio me ajuda.
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Fui ver.
O exemplo de oração subordinada que se segue à definição – aquela da qual a principal depende – é este: Se soubesse que você se ofenderia, não teria falado.
Ignorante assumido de mil coisas da gramática, eu pergunto: Será que existe alguém que não as use?
E aproveito para consultá-lo sobre a correção deste esdrúxulo as use.
Para que se entenda essa minha lengalenga, eis o que escreve RA sobre o tema Orações subordinadas – Tenho desprezo intelectual por quem é incapaz de usar orações subordinadas.
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Você escreve:
Os outros – O outros são sempre responsáveis pela nossa modéstia, especialmente quem é melhor do que nós.
Não seria, ao invés de modéstia, complexo de inferioridade.
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A decadência ética e moral chegou ao ponto de se louvar quem descaradamente se autoproclama o menos pior.
Entenda esta minha anotação como mero desabafo, motivado por duas das suas quatro sobre o tema Petismo.
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Outra razão, referida por você no Breviário, Reinaldo Azevedo, para esquecer que Lula não é burro. Eu escrevo aqui não é burro para não ter que escrever que ele é inteligente, conforme seria natural em você.
Questão de tempo – Não perca uma só chance de desmerecer o petismo. Acertar é uma questão de tempo.
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Esta outra máxima me parece digna do adjetivo genial:
Sem-vergonhice – Governos ladrões ou provocam a repulsa popular ou vão deixando o próprio povo mais sem-vergonha. No Brasil, não se vê repulsa nenhuma…
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Isto é perspicaz:
Verdade – Nada é tão eficiente para falsear uma verdade geral quanto uma verdade particular.
La Rochefoucald certamente aplaudiria.
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A conclusão do Breviário é simplesmente brilhante!









