Poema

Painomerides do Paraná

No máximo na ponta do fêmur.

No próximo Verão, quem sabe, atinge a cintura.

Aí então será como na Grécia do tempo de Platão.

O epíteto painomerides é do poeta Íbico.

“As que mostram as coxas”.

O mérito, do espartano Licurgo,

que na conta do pudico Plutarco

outorgou às mulheres “demasiada liberdade”.

Burocraticamente ele relata:

“Realmente, as moças trajavam túnicas abertas de lado,

da cintura para baixo, que lhes desnudavam

inteiramente as pernas quando caminhavam”.

Eurípedes, que ele cita, achava excitante:

“Andando pela rua com rapazes,

vestido solto, coxas à mostra…

Sófocles também:

“E a jovem Hermíone,

cuja túnica frouxa

lhe sobe pela coxa nua”.

Curitiba-94

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