Arquivo para Fevereiro, 2008

Lemuel Gulliver e as muitas razões para se interessar menos por política

Um dia desses a apresentadora do Jornal da Globo citou o ex-presidente e senador José Sarney para dizer que “política é a arte de harmonizar conflitos”. Tão genérica, a definição pode ser julgada pomposa por falar em arte ao invés de ciência, por exemplo, mas é incontestável em seu sentido lato.

gulliver1a.jpgO que pretendo dizer é que não desconheço a importância da política na vida de todos, mas devo informar que neste Trevo do Talvez ela vai figurar menos do que filosofia, por exemplo, pois me sinto tão esclarecido a respeito do cotidiano das ações dos detentores dos poderes executivo, legislativo e judiciário no Brasil quanto Lemuel Gulliver o foi a respeito do que ocorria na Inglaterra na passagem do século XVII para o XVIII, período em que viveu seu criador, o escritor Jonathan Swift.

Tomei o livro dele para ler – em tradução de Octavio Mendes Cajado – estimulado pelo conselho que se segue, dado por Dietrich Schwanitz no seu Bildung / Cultura Geral, já citado aqui.

“Recomenda-se a leitura de As viagens de Gulliver quando os partidos políticos do país em que vivemos nos causarem repulsa ou quando já não suportamos ligar a televisão ou abrir o jornal. Quem estiver profundamente decepcionado com a política vai encontrar em As viagens de Gulliver o remédio para transformar nojo em incontida risada. Mas, para tanto, deve-se ler somente as primeiras três viagens e evitar a quarta a todo custo. Quem desconsiderar essa advertência não poderá se queixar se, após a leitura, ficar tão enojado com a raça humana que, em depressão profunda, queira meter uma bala na cabeça”.

Convencido de que nem todos que transitam por este Trevo do Talvez não tiveram ou não terão a oportunidade de encaixar o livrinho de Swift na agenda, assumo o compromisso de transcrever alguns dos trechos da narrativa que embasam o conselho de Schwanitz, à medida que avançar na leitura.

Da viagem a Lilipute, vi pouco conteúdo relacionado ao conselho digno de anotação. Para não dizer que nada, a constatação, por Gulliver, “de tão pouco peso são os maiores serviços prestados aos príncipes, quando posto em balança com uma recusa em satisfazer-lhes as paixões”.

Vamos pular, pois, para a segunda viagem e começar resumindo a ingênua ou dissimulada descrição de Gulliver sobre o que ocorria nos domínios da rainha Vitória, seguida dos comentários do rei de Brobdingnag, pois pode servir como um tiro de canhão para acordar muita gente para o que ocorre atualmente nesta terra brasilis.

“Encetei o meu discurso informando Sua Majestade de que os nossos domínios consistiam em duas ilhas, que formavam três poderosos reinos, governados por um soberano, além das nossas plantações na América. Estendi-me demoradamente sobre a fertilidade do solo e a temperança do clima. Em seguida, alarguei-me na constituição de um Parlamento inglês; composto, em parte, de um corpo ilustre, chamado a Câmara dos Pares; pessoas de ilustríssimo sangue e senhores dos patrimônios mais antigos e mais amplos. (…) A eles reuniram-se várias pessoas santas, como parte dessa mesma assembléia, sob o título de bispos, cuja missão especial consistia em zelar da religião e dos que nela instruem o povo. (…)

Ajuntei que formava a outra parte do Parlamento uma assembléia chamada Câmara dos Comuns, cujos membros era todos cavalheiros importantes, livremente escolhidos e eleitos pelo próprio povo, por seus grandes talentos e amor à pátria, a fim de representar a sabedoria da nação. E que esses dois corpos constituíam a mais augusta assembléia da Europa, que, de parceria com o príncipe, enfeixavam todo o poder legislativo.

Logo passei a referir-me aos tribunais de Justiça; nos quais presidiam os juízes, veneráveis sábios e intérpretes da lei, para a determinação dos controvertidos direitos e propriedades dos homens, bem como para castigo do vício e proteção da inocência. Mencionei a prudente administração do nosso tesouro; o valor e os feitos de nossas forças, marítimas e terrestres. (…) Não omiti sequer os nossos desportos e passatempos, nem pormenor algum que pudesse, a meu juízo, redundar em honra do meu país E concluí com breve relato histórico dos assuntos e sucessos da Inglaterra durante os últimos cem anos, mais ou menos.

Prolongou-se a conversação durante cinco audiências, cada qual de várias horas; e o rei ouviu tudo com grande atenção, tomando frequentemente notas do que eu dizia, e apontamentos do que me pretendia perguntar.

Quando pus termo a esses longos discursos, Sua Majestade, numa sexta audiência, consultando as suas notas, propôs muitas dúvidas, questões e objeções a respeito de cada artigo. Perguntou ele que método empregávamos para cultivar os espíritos e os corpos dos nossos jovens fidalgos, e em que espécie de ocupações passavam, de regra, a primeira parte de sua vida, a mais apropriada à ensinança. Qual o critério seguíamos para integrar aquela assembléia, quando alguma nobre família se extinguia. Quais as qualificações necessárias aos novos lordes para serem nomeados; e se o humor do príncipe, uma some de dinheiro entregue a uma dama da corte, ou o desejo de fortalecer um partido contrário aos interesses do povo já havia sido, alguma vez, o motivo dessas promoções. Quanto conhecimento possuíam esses lordes das leis do seu país, e de que maneira o adquiriam para poderem decidir das propriedades dos seus súditos, em última instância. Se viviam sempre tão livres da avareza, da parcialidade e das necessidades, que o suborno, ou qualquer outro desígnio sinistro, não pudesse ter lugar entre eles. Se aqueles santos varões de que eu havia falado, promovidos sempre a esse cargo em razão do seu conhecimento das questões religiosas e da santidade de suas vidas, nunca tinham sido condescendentes com os tempos, enquanto eram padres comuns; nem servis e prostituídos capelões de algum nobre, a cujas opiniões continuassem vilmente a obedecer, depois de admitidos naquela assembléia.

Quis saber, depois, quais os processos empregados na eleição daqueles que eu chamara Comuns: se um estranho, com a bolsa cheia, não lograria persuadir os eleitores a elegê-lo em lugar do seu próprio senhor, ou do cavalheiro mais importante da vizinhança. Como se explicava que as pessoas se mostrassem tão violentamente inclinadas a ingressar numa assembléia, que eu admitir ser uma fonte enorme de trabalhos e despesas, à custa, muita vez, da ruína de suas famílias, e sem perceberem qualquer salário ou pensão; pois isso implicava tão grande extremo de virtude e espírito público, que Sua Majestade parecia temer nem sempre fosse sincero. E quis saber se tais zelosos cavalheiros não poderiam ter o propósito de se recompensarem dos encargos e trabalhos a que se entregavam, sacrificando o bem público aos desígnios de um príncipe fraco e vicioso, em convivência com um ministério corrupto. Multiplicou as perguntas e me sondou exaustivamente sobre esse ponto, propondo inúmeros quesitos e objeções, que não julgo prudente nem conveniente repetir.

Sobre o que eu disse respeito aos nossos tribunais de Justiça, pediu-me Sua Majestade que lhe explicasse várias coisas: o que fui mais capaz de fazer, visto que já quase me arruinara um processo na Chancelaria, cujas custas eu tivera de pagar. Perguntou quanto tempo se gastava, de ordinário, em distinguir a razão da sem-razão, e quantos gastos se faziam para isso. Se os advogados e suplicantes tinham liberdade para defender causas que se sabiam manifestamente injustas, vexatórias ou opressivas. Se se observara ter um partido, religioso ou político, algum peso na balança da justiça. Se eram os suplicantes pessoas educadas no conhecimento geral da equidade, ou tão-somente no direito consuetudinário da província, da nação ou de alguma localidade. Se eles ou os seus juízes haviam participado da elaboração das leis, que assumiam a liberdade de interpretar e glosas a seu talante. Se já tinham, em diferentes ocasiões, defendido e acusado a mesma causa, citando precedentes para provar opiniões contrárias. Se eram uma corporação rica ou pobre. Se recebiam alguma recompensa pecuniária para litigar, ou apresentar os seus pareceres. E, particularmente, se eram alguma vez admitidos como membros da Câmara Baixa.

Em seguida, caiu sobre a administração do nosso Tesouro; e disse julgar que me falhara a memória, pois eu calculara os nossos impostos em cerca de 5 ou 6 milhões por ano e, ao mencionar os gastos, verificava que estes alcançavam, às vezes, mais do que o dobro; porque as notas que tomara nesse sentido eram assaz minuciosas, pois esperava, segundo me disse, que o conhecimento dos meus processos lhe fosse útil, e não podia enganar-se nos cálculos. Mas, se era verdade o que eu lhe dissera, não sabia como um Estado poderia gastar mais do que ganhava, à semelhança de um particular. Perguntou-me “quais eram os nossos credores; e onde encontrávamos o dinheiro para pagá-los”. Pasmou de me ouvir falar em guerras tão onerosas e tão caras; “que havíamos de ser, por certo, um povo rixoso, ou viver entre maus vizinhos, e que os generais seriam, forçosamente, mais ricos do que os reis”. Perguntou que negócios tínhamos fora das nossas ilhas, a não ser à conta do comércio, dos tratores, ou da defesa do litoral por meio de esquadras. Surpreendeu-o principalmente ouvir-me falar num Exército mercenário permanente, em tempo de paz e no seio de um povo livre. Disse que, “se nos governavam, por nosso próprio consentimento, as pessoas dos nossos representantes, não podia imagina de quem nos temíamos e contra quem havíamos de lutar; e quis saber se a casa de um homem particular não seria melhor defendida por si mesmo, pelos filhos e pela família, do que por meia dúzia de patifes, arrebanhados ao acaso nas ruas, mal pagos, e que poderiam ganhar cem vezes mais cortando-lhes o pescoço”.

Riu-se da minha esquisita aritmética, como houve por bem chamar-lhe, computando o número dos nossos habitantes pelo dos membros das várias seitas religiosas e políticas. Disse desconhecer a razão por que não eram obrigados a mudá-las ou disfarçá-las os que sustentam opiniões prejudiciais ao público. E assim como seria tirânico o governo que determinasse o primeiro, assim seria fraco o que não exigisse o segundo: pois não se pode permitir-se a um homem conservar venenos em seu gabinete, mas não pode permitir que os venda como cordiais.

Observou que, entre as diversões da nossa nobreza e fidalguia, eu mencionara o jogo: quis saber em que idade se entregavam, de ordinário, a esse entretenimento, e quando o abandonavam; quanto tempo empregavam nele; se chegava, alguma vez, a termos de danar-lhes a fazenda; se pessoas indignas e viciosas, por sua perícia nessa arte, não podiam amanhar grandes riquezas e conservar, às vezes, os nossos próprios nobres em sua dependência, bem como habituá-los a más companhias, divorciá-los do aperfeiçoamento espiritual, e obrigá-los, pelas perdas sofridas, a lograrem essa infame destreza e a exercitarem-na em detrimento de outros.

Assombrou-o enormemente o histórico relato que lhe fiz dos nossos negócios durante o último século; protestando serem apenas um amontoado de conspirações, revoltas, assassínios, chacinas, revoluções, desterros, exatamente os piores efeitos que poderiam fazer a avareza, o faccionismo, a hipocrisia, a perfídia, a crueldade, a ira, a insânia, o ódio, a inveja, a lascívia, a maldade e a ambição.

Em outra audiência, recapitulou com dificuldade a substância de tudo o que eu lhe dissera; comparou as perguntas que me fez com as respostas que lhe dei; em seguida, tomando-me na mão, e batendo-me delicadamente, pronunciou as seguintes palavras, que nunca me esquecerão, como também me esquecerá a maneira por que as disse: “Meu amiguinho Grildrig, fizestes o mais admirável panegírico do vosso país; provastes à sociedade que a ignorância, a ociosidade e o vício sãos os ingredientes adequados à qualificação de um legislador; que as leias são melhor explicadas, interpretadas e aplicadas por aqueles cujo interesse e habilidade consistem em as perverter, confundir e  iludir. Observou entre vós alguns traços de uma instituição que poderia ter sido, originariamente, tolerável, mas cuja metade está quase apagada, ao passo que o resto foi inteiramente obliterado e borrado pela corrupção. Não transparece, em quando dissestes, que se exija uma única perfeição para que alguém atinja uma posição qualquer entre vós; e muito menos que os homens sejam enobrecidos em razão da sua virtude; que os sacerdotes sejam promovidos pela piedade ou pelo saber; os soldados, pelo procedimento ou pelo valor; os juízes, pela integridade; os senadores, pelo amor à pátria; os conselheiros, pela sabedoria. “Pelo que vos toca, prosseguiu o rei, a vós, que passastes viajando a maior parte da vossa vida, inclino-me a pensar que tenhais, até agora, escapado a muitos vícios do vosso país. Mas, pelo que depreendi do vosso próprio relato e das respostas que tão penosamente arranquei e extraí de vós, não posso menos de concluir que a grande maioria dos vossos semelhantes é representada pela mais perniciosa raça de pequenos e odiosos insetos que a natureza já permitiu rastejassem na superfície da Terra”.

P. S. Frustrado na expectativa que fundei na indicação do Sr Dietrich Schwanitz, interrompi a leitura na página 154 das 275 que compõem a edição da Editora Abril de 1983, que fui encontrar num Sebo perto do Dique do Tororó.

Mantive minha decisão de não seguir lendo mesmo depois de ver o livro citado com louvor por ninguém menos que Napoleão Bonaparte como epígrafe de uma seção da biografia política do Imperador francês, escrita por Steven Englund e publicada entre nós pela Zahar.

Nela, sim, aprende-se muito sobre política.

Aprende-se principalmente a distinguí-la do que os franceses denominam “o político”.

Assim, retribuo a indicação de leitura.

“Tenho raiva de ti, meu amor”

Poderia intitular esta resenha assim:

As ridículas cartas de amor do escritor que detestava ponto de exclamação

“Ridículas” no sentido que Fernando Pessoa empresta a este adjetivo no famoso poema que abre cartas.jpgcom estes versos:

Todas as cartas de amor são / Ridículas. / Não seriam cartas de amor se não fossem / Ridículas.”

Escritas pelo autor de Vidas Secas antes de lançar-se como romancista e num tempo em que tinha outra opinião sobre o emprego do ponto de exclamação, as sete cartas reunidas em publicação da Record (1990) enquadram-se perfeitamente na caracterização do poeta português.

Lidas à época em que foram lançadas, lembrei delas ao reler as muitas considerações sobre o amor feitas por Antônio Vieira ao longo dos dois sermões que sintetizei e que publiquei neste Trevo do Talvez a propósito da passagem do quarto centenário de nascimento dele.

É surpreendente que o mesmo Graciliano Ramos das trágicas Memórias do Cárcere tenha um dia, já na meia idade, viúvo e pai de quatro filhos, lançado numa folha de papel frases como as que se seguem, dirigidas a uma quase adolescente:

“Esta carta nunca te chegará às mãos, porque não tens mãos, és uma criatura imaginária. A flor que me deste e que agora murcha, é simplesmente um defeito dos meus nervos. Beijando-a, tenho a impressão de beijar o vácuo. Já tiveste em sonho a consciência de estar sonhando? É assim que me acho. Vem para junto de mim e acorda-me”.

Ou estas:

“Achas extraordinário que me ajoelhe a teus pés e te adore? Por que não me ajoelharia, se não tenho deuses e o sentimento de religiosidade de que sou capaz se concentra em ti?”

O mito do “homem de poucas palavras, rude, mordaz e de difícil aproximação”, desmorona ao final do delicioso livrinho idealizado por James Amado, ilustrado por Floriano Teixeira e apresentado por José Paulo Paes.

Cartas de amor a Heloísa tem todas as qualidades dos mais notáveis conjuntos de cartas reunidos em livro ao longo da história das relações amorosas em toda parte. E nada fica a dever nem mesmo àquelas trocadas entre o filósofo Abelardo e sua adorada Heloísa na Europa de oito séculos atrás.

É de lastimar que entre o dia em que conheceu seu grande amor e a cerimônia de casamento não tenha transcorrido muito tempo. Eleito prefeito de Palmeira dos Índios em 7 de outubro de 1927, Graciliano conheceu Heloísa Medeiros nesta cidade no Natal deste ano e casa-se com ela a 16 de fevereiro de 1928, em Maceió.

A propósito de ponto de exclamação, cujo emprego ele acabaria condenando como sendo próprio de quem “se espanta com tudo”, registre-se que nas sete cartinhas o autor de Angústia faz uso dele quarenta e duas vezes.

E para que não paire dúvida sobre o sentido do adjetivo “ridículo” que apliquei às suas cartas, eis, na íntegra, o poema de Fernando Pessoa:

Todas as cartas de amor são

Ridículas.

Não seriam cartas de amor se não fossem

Ridículas.

Também escrevi em meu tempo cartas de amor,

Como as outras

Ridículas.

As cartas de amor, se há amor,

Têm de ser

Ridículas.

Mas afinal,

Só as criaturas que nunca escreveram

Cartas de amor

É que são

Ridículas.

Quem me dera o tempo em que escrevia

Sem dar por isso

Cartas de amor

Ridículas.

A verdade é que hoje

As minhas memórias

Dessas cartas de amor

É que são

Ridículas.

(Todas as palavras esdrúxulas,

Com os sentimentos esdrúxulos,

São naturalmente

Ridículas.)

P. S. A propósito, transcrevo abaixo a primeira carta de amor escrita por Albert Einstein que se conhece, dirigida à sua primeira namorada, Marie Winteler:

“Minha querida namorada!

Muito obrigado mesmo, querida, por sua cartinha adorável, que me fez imensamente feliz. Foi maravilhoso poder apertar contra o peito um pedacinho de papel que seus lindos olhinhos contemplaram e que suas mãozinhas encantadoras percorreram. Isso me fez conhecer, anjinho, o significado de desgosto e saudade. Mas o amor traz tamanha felicidade – muito mais do que o desgosto traz dor…

Minha mãe também a adora, do fundo do coração, embora ainda não a conheça; permiti que lesse apenas duas de suas cartinhas encantadoras. E ela vive rindo de mim, pois eu não me sinto mais atraído por moças que supostamente tanto me encantaram no passado. Você representa mais para minha alma do que o mundo inteiro representava antes.”

A popularidade de Lula vista a partir de um hipotético elogio e de uma proclamada decepção

 Estimulado pelo fato de que não há lei que proíba leigos em psicologia humana de especular sobre a origem de comportamentos, permito-me fazê-lo relativamente à crescente arrogância manifestada pelo presidente Lula a cada pesquisa relacionada ao desempenho dele.opiniao-1.jpg

O tom displicente e aparentemente desinteressado das declarações apenas acentua a arrogância. Ao menos com o tom não me iludo, absolutamente.

Pode parecer contraditório, mas tenho a impressão de que, fundamentalmente, tanta arrogância reflete frustração.

Quantas manifestações de apoio a ele feitas por pessoas comuns corresponderiam a um elogio público do cantor Chico Buarque de Holanda?

De forma igual, qual seria o número de manifestações dessas mesmas pessoas capaz de compensar a decepção com ele proclamada pelo teólogo Leonardo Boff?

Há muita gente contente com saber escrever o próprio nome e falar sobre o elementar e não há por que contestar; mas é importante lembrar, da forma que o faz o psicanalista Carl Gustav Jung, que “a natureza é aristocrática: uma pessoa excepcional vale por dez pessoas medíocres”.

Seria Lula um tipo raro de pessoa se fosse capaz de esnobar elogio de gente lúcida e culta, como é o caso do seu ministro das Ações de Longo Prazo, Mangabeira Unger, que chegou a ponto de ser grosseiro na avaliação que fez dele, Lula.

Não, esse tipo raro de pessoa me parece que Lula não é.

P. S. Numa entrevista que concedeu ao Jornal do Brasil em 2003, se não estou enganado, Antônio Carlos Magalhães declarou literalmente que considera a mulher do presidente Lula, Dona Marisa Letícia, um “prodígio”.

Relacionei esta avaliação com um diálogo dela com a jornalista Glória Maria a respeito da preparação de um espaço no Palácio do Planalto, ao longo de uma entrevista para o programa Fantástico.

Recordo que, surpresa com a informação, a jornalista perguntou para que.

- Para eu trabalhar, respondeu Dona Marisa.

E para encerrar este P. S., me chamaram atenção algumas informações esparsas que li muito tempo atrás a respeito da participação dela na fundação do Partido dos Trabalhadores, do quanto ela se dedicou a este empreendimento.

De volta à avaliação de ACM, confesso que tenho muita curiosidade a respeito do papel desempenhando por Dona Marisa no Governo Lula.

Gostaria, em suma, de saber quanto do sucesso dele se deve a ela.

Pois como há de amar o amor para ser fino?

Trechos de sermões de João Crisóstomo citados ao longo de uma biografia deste homem notável, ao qual os dirigentes da Igreja Católica conferiram o título de Santo, escrita por Felix Arrarás e que li no início de 1999, fizeram-me lembrar do padre Antônio crisostomo-2a.jpgVieira.

Por Vieira o luthier, instrumentista e compositor tcheco Walter Smetak me fez profundamente interessado no início da década de 70, em razão da extraordinária e relevante experiência psicológica por que o jesuíta passou rezando diante da imagem da Virgem das Maravilhas, numa igreja do Terreiro de Jesus, aqui em Salvador, à qual denominou “estalo”.

Ouvi falarem a respeito dele, entretanto, desde a infância, no meu tempo de coroinha, mas lera dele apenas uns poucos sermões muitos anos depois das referências feitas por Smetak, no decorrer de uma entrevista que me concedeu como repórter do extinto Jornal da Bahia, e desta feita com o fito exclusivo de checar meu interesse por sua arte retórica.

Tanta semelhança eu encontrei entre a forma de pregar dele e a deste João cuja extraordinária eloqüência lhe valeu o título de Crisóstomo“Boca de Ouro”, em grego – que passei a ter como fato que Vieira havia mergulhado na sua abundante e variada produção intelectual. Afinal, trata-se do “patrono da eloqüência sagrada”, conforme foi oficialmente designado pelo Papa Pio X.           

Rememorando, em algum momento de 2003, aulas do excepcional professor de português Raul Sá, em conversa com outro ex-aluno dele na antiga Escola de Biblioteconomia e Comunicações da Universidade Federal da Bahia no local comum de trabalho, Carlos Olympio Pinto de Azevedo Neto, mencionei este fato e tão interessando ele ficou que assumi compromisso de reunir trechos de sermões dos dois e desafiá-lo a descobrir a autoria.

Passado algum tempo dessa conversa, me deparei com um exemplar da coletânea de sermões do famoso padre jesuíta publicada pela Universidade de Brasília / Imprensa Oficial sobre a mesa do Sr Paulo Sérgio Silva, proprietário da empresa onde eu continuo trabalhando, a Dom Publicações Legais.

Informado por ele de que o livro pertencia ao advogado Antonio Francisco Costa, amigo do Olympio, solicitei a interferência deste no sentido de consegui-lo por empréstimo para minha leitura, convencido de que se prestaria para o confronto acima referido.

Infelizmente, a meia dúzia de sermões “do mandato” não se presta senão superficialmente para o confronto, em razão da erudição que os caracteriza, comparados com os sermões que eu havia lido, todos pregados em igrejas de São Luiz do Maranhão, se não estou enganado, e dirigidos a platéias menos elevadas culturalmente do que aquelas que tiveram o privilégio de ouvi-lo quando pregou estes.

Presta-se, sim, para confirmar minha suposição de que João Crisóstomo, várias vezes citado, é uma importante influência na formação deste lisboeta meio brasileiro-soteropolitano, reconhecido como “um dos grandes oradores sacros de todos os tempos”, conforme se lê na apresentação da coletânea em questão.

Para compensar Olympio de ficar privado do confronto e recompensá-lo por haver convencido seu amigo “Doutor Costa” a fazer o empréstimo, e eu a este agradecer de forma menos subjetiva do que seria natural ocorrer nestes casos, produzi uma sinopse dos sermões da qual ofereci cópia a ambos.

Decidi elaborar a sinopse também com o propósito de estimular a leitura de toda a obra de Vieira, pois que Olympio, sendo o primeiro e decisivo, não foi o único no ambiente de trabalho a se interessar pela comparação que originou sua elaboração.

Com este Trevo do Talvez e, conforme já disse, a pretexto da passagem dos 400 anos do nascimento do notável orador, tenho a oportunidade de conquistar o interesse de outras pessoas por ele.

Dito tudo isto, aqui está o Segundo Sermão do Mandato, cuja epígrafe está traduzida conforme se segue em edição digitalizada disponível no endereço www.dominiopublico.gov.br, assinada por Verônica Ribas Cúrcio, da Universidade Federal de Santa Catarina, onde foi publicada de forma claramente equivocada, encimando o Primeiro Sermão do Mandato.

Pregado em Lisboa, na Capela Real, no ano de 1645.

Sciens Jesus quia venit hora ejus, ut transeat ex hoc mundo ad Patrem, cum dilexisset suos, qui erant in mundo, in finem dilexit eos.

Sabendo Jesus que era chegada a sua hora de passar deste mundo ao Pai, como tinha amado os seus que estavam no mundo, amou-os até o fim. (Jo. 31,1).

“Considerando eu com alguma atenção os termos tão singulares deste amoroso Evangelho, harmonia e correspondência de todo seu discurso, tantas vezes e por tão engenhosos modos deduzidos; vim a reparar finalmente (não sei se com tanta razão como novidade) que o principal intento do Evangelho foi mostrar a ciência de Cristo, e o principal intento de Cristo mostrar a ignorância dos homens.

Sabia Cristo (diz S. João0 que era chegada a sua hora de passar deste mundo ao Padre: Sciens quia venit hora ejus, ut transeat ex hoc mundo ad Patrem. Sabia que tinha depositados em suas mãos os tesouros da onipotência, e que Deus viera e para Deus tornava: Sciens quia omnia dedit ei Pater in manus, er quia a Deo exivit, et ad Deum vadit. Sabia que entre os doze que tinha assentados à sua mesa estava um que lhe era infiel, e que O havia de entregar a seus inimigos: Sciebat enim quisnam esset qui traderet eum. Até aqui mostrou o Evangelista a sabedoria de Cristo. Daqui adiante continua Cristo a mostrar a ignorância dos homens.

Está proposto o pensamento, mas bem vejo que não está declarado. Em conformidade e confirmação dele pretendo mostrar hoje, que só Cristo amou finamente; porque amou sabendo: Sciens: e só os homens foram finamente amados, porque foram amados ignorando: Nescis: Unido-se, porém, e trocando-se de tal sorte o sciens com o nescis, e o nescis com o sciens; que estando a ignorância da parte dos homens, e a ciência da parte de Cristo, Cristo amou, sabendo, como se amara, ignorando: e os homens foram amados, ignorando, como se fossem amados, sabendo. Vá agora o amor destorcendo estes fios. E espero que todos vejam a fineza deles.

Primeiramente só Cristo amou, porque amou sabendo: Sciens. Para inteligência dessa amorosa verdade, havemos de supor outra não menos certa, e é, que do mundo e entre os homens, isto que vulgarmente se chama amor, não é amor, é ignorância. Pintaram os antigos ao amor menino; e a razão, dizia eu o ano passado, que era porque nenhum amor dura tanto que chegue a ser velho. Mas esta interpretação tem conta si o exemplo de Jacó com Raquel, o de Jônatas com Davi, e outros grandes, ainda que poucos. Pois se há também amor que dure muitos anos, porque no-lo pintam os Sábios sempre menino? Desta vez cuido que hei de acertar a causa. Pinta-se o Amor sempre menino, porque ainda que passe dos sete anos, como o de Jacó, nunca chega à idade de uso de razão. Usar de razão, e amar, são duas coisas que não se juntam. A alma de um menino, que vem a ser? Uma vontade com afetos, e um entendimento sem uso.Tal é o amor vulgar. Tudo conquista o amor, quando conquista uma alma; porém o primeiro rendido é o entendimento. Ninguém teve a vontade febricitante, que não tivesse o entendimento frenético. O amor deixará de variar, se for firme, mas não deixará de tresvariar, se é amor. Nunca o fogo abrasou a vontade, que o fumo não cegasse o entendimento. Nunca houve enfermidade no coração, que não houvesse fraqueza no juízo. Por isso os mesmos Pintores do Amor lhe vendaram os olhos. E como o primeiro efeito, ou a última disposição do amor, é cegar o entendimento, daqui vem que isto que vulgarmente se chama amor, tem mais partes de ignorância: e quantas partes tem de ignorância, tantas lhe faltam de amor. Quem ama porque conhece, é amante; quem ama, porque ignora é néscio. Assim como a ignorância na ofensa diminui o delito, assim no amor diminui o merecimento. Quem, ignorando, ofendeu, em rigor não é delinqüente; quem ignorando, amou, em rigor não é amante.

É tal a dependência que tem o amor destas duas suposições, que o que parece fineza fundado em ignorância, não é amor; e o que não parece amor, fundado em ciência, é grande fineza.

Quatro ignorâncias podem concorrer em um amante que, diminuam muito a perfeição e merecimento de seu amor. Ou porque não se conhece a si: ou porque não conhecesse a quem amava: ou porque não conhecesse o amor: ou porque não conhecesse o fim onde há de parar, amando.

Se não conhecesse a si, talvez empregaria o seu pensamento onde o não havia de pôr, se se conhecera. Se não conhecesse a quem amava, talvez quereria com grandes finezas, a quem havia de aborrecer, se o não ignorara. Se não conhecesse o amor, talvez se empenharia cegamente no que não havia de empreender se o soubera. Se não conhecesse o fim em que havia de parar, amando, talvez chegaria a padecer os danos a que não havia de chegar se os previra.

Todas estas ignorâncias que se acham nos homens, em Cristo foram ciências, e em todas e cada uma crescem os quilates de seu extremado amor. Conhecia-se a si. Conhecia a quem amava, conhecia o amor, e conhecia o fim onde havia de parar, amando. Tudo notou o Evangelista.

Os homens amam muitas coisas que as não há no mundo: amam as coisas como as imaginam; e as coisas como eles as imaginam, havê-las-á na imaginação, mas no mundo não as há.

Pelo contrário, Cristo amou os homens como verdadeiramente eram no mundo, e não como enganosamente podiam ser na imaginação: Cum dilexisset suos, qui erant in mundo. Não amou Cristo os seus, como vós amais os vossos.

Definindo S. Bernardo o amor fino, diz assim: Amor non quaerit causam, nec fructum. O amor fino não busca causa nem fruto.

Se amo porque me amam, tem o amor causa; se amo, para que me amem, tem fruto: e amor fino não há de ter porquê, nem para que.

Se amo, porque me amam, é obrigação, faço o que devo: se amo, pra que me amem, é negociação, busco o que desejo.

Pois como há de amar o amor para ser fino?

Amo, quia amo, amo, ut ame: amo, porque amo, e amo para amar.

Quem ama, porque o amam, é agradecido, quem ama, para que o amem, é interesseiro: quem ama, não porque o amam, nem para que o amem, esse só é fino. E tal foi a fineza de Cristo, em respeito de Judas, fundada na ciência que tinha dele e dos demais discípulos.

Questão é curiosa nesta filosofia, qual seja mais precioso e de maiores quilates: se o primeiro amor, ou o segundo?

Ao primeiro ninguém pode negar que é o primogênito do coração, o morgado dos afetos, a flor do desejo, e as primícias de vontade. Contudo, eu reconheço grandes vantagens no amor segundo.

O primeiro é bisonho, o segundo é experimentado: o primeiro é aprendiz, o segundo é mestre: o primeiro pode ser ímpeto, o segundo não pode ser senão amor.

Enfim, o segundo amor, porque é segundo, é confirmação e ratificação do primeiro, e por isso não simples amor, senão duplicado, e amor sobre amor.

É verdade que o primeiro amor é o primogênito do coração; porém a vontade sempre livre não tem os seus bens vinculados. Seja o primeiro, mas não por isso o maior.

Quem diz que ama mais, desacredita o seu amor, porque ainda que o crescer seja aumento, é aumento que supõe imperfeição. Amor que pode crescer não é amor perfeito.

E somos entrados sem o pretender na quarta consideração.

A quarta e última circunstância em que a ciência de Cristo afinou mais os extremos de seus amor, foi saber e conhecer o fim onde havia de parar, amando:  Sciens quia venit hora ejus.  

De muitos contam as histórias que morreram, porque amaram; mas porque o amor foi só a ocasião, e a ignorância a causa, falsamente lhe deu a morte o epitáfio de amantes. Não é amante, quem morre porque amou, senão quem amou para morrer.

Que quem amou porque não sabia que havia de morrer, se ou soubera não amara. Não está o merecimento do amor na morte, senão no conhecimento dela.

E senão façamos esta questão: Que é o que mais deseja, e mais estima o amor: Ver-se conhecido ou ver-se pago?

É certo que o amor não pode ser pago, sem ser primeiro conhecido: mas pode ser conhecido, sem ser pago: e considerando divididos estes dois termos, não há dúvida que mais estima o amor e melhor que lhe está ver-se conhecido, que pago.

O mais seguro crédito de quem ama, é a confissão da dívida no amado: mas como há de confessar a dívida quem a não conhece! Mas lhe importa logo ao amor o conhecimento, que a paga; porque a sua riqueza é ter sempre endividado a quem ama.

Quando o amor deixa de ser credor, só então é pobre.

Finalmente, ser tão grande o amor que se não possa pagar é a maior glória de quem ama: se esta grandeza se conhece, é glória manifesta: se não se conhece, fica escurecida, e não é glória: logo muito estima o amor, e muito mais deseja, e muito mais lhe convém a glória de conhecido, que a satisfação de pago.

Baste de razões, vamos à Escritura.

Muito custou a Cristo amar-nos, muito padeceu, amando-nos; porém a mais rigorosa pena a que O condenou seu amor, foi que amasse a quem O não havia de conhecer. Isto é o que mais sente, isto é o que mais lastima quem ama.

No Salmo 34 conforme o texto grego, diz assim o Filho de Deus: Congregata sunt super me flagella, et ignoraverunt: Caíram sobre mim tantos açoites e ignoraram.

Para inteligência deste afeto, havemos de supor que de todos os tormentos da sua Paixão, nenhum sentiu Cristo tanto como o dos açoites.

Em todos os outros tormentos, e na mesma morte, falou só uma vez; porém o tormento dos açoites repetiu-o duas vezes: Flagellabitur, et postquam flagellaverint, porque o que mais sente o coração, naturalmente sai mais vezes à boca.

Diz pois o Senhor: Congregata sunt super me flagella, etb ignoraverunt Caíram sobre mim tantos açoites e ignoraram.

Afligido Jesus; que termos de falar são estes? Se foram os açoites o tormento de Vós mais sentido, parece que havíeis de dizer: Caíram sobre mim os açoites. Oh como os senti! Oh como me atormentaram!

Mas em vez de dizer que os sentiu, e que O atormentaram, queixa-se somente o Senhor, de que os ignoraram; porque, no meio dos maiores excessos do seu amor, o que mais atormentava o coração de Cristo não era o que ele padecia, senão o que os homens ignoravam: Et ignoraverunt.

Não se queixa dos açoites e queixa-se da ignorância; porque, os açoites afrontavam a Pessoa, a ignorância desacreditava o amor.

E porque esta falta de conhecimento é o que mais sente e mais deve sentir quem ama, por isso ponderou Cristo a fineza de seu amor, não pela circunstância da sua ciência, senão pela de nossa ignorância: Quod ego facio, tu nescis.

Muito mais realça o amor de Cristo este nescis, que o sciens de S. João tantas vezes repetido.

Porque se foram grandes circunstâncias de amor, amar, conhecendo-se a si, e conhecendo a quem amava, e conhecendo o amor, e conhecendo o fim em que havia de parar, amando sobre todas estas considerações se levanta, e remonta incomparavelmente empregar todos esses conhecimento e todo esse amor por quem o não havia de conhecer: Tu nescis.

Este foi, cristãos, o amor de Cristo, esta a ciência e as ciências, com que nos amou, e esta a ignorância e ignorâncias, sobre que somos amados”.     

Para encher a cabeça

 Você enche sua cabeça de futilidades ou de coisas significativas; vazia ela não fica.cabeca-1.jpg

Aqui vão umas futilidades e umas coisas significativas: 

Nas filas, de graça, cursos de paciência.

A utilização em larga escala de equipamentos eletrônicos vai acabar criando uma geração que, por hábito, não saberá calcular de memória quanto é dois mais quatrocentos e quarenta e quatro.

O e-mail ressuscitou a Carta; ai de quem não sabe se expressar por escrito.

Como foi?

Foi assim: o primeiro entrou pra dentro; o segundo subiu pra cima; o outro saiu pra fora e o último desceu pra baixo. Quando a Polícia chegou para prender o que sabia menos Português não encontrou ninguém.

Do pedantismo

Chega uma pedante. Cita de uma vez Cecília Meireles, Sófocles e Paracelso. Depois proclama pomposamente estar relendo a Comédia Humana e distraída confessa que só pega num livro quando chove. 

Do trânsito de veículos

De tão estúpidos, uns motoristas parecem caçadores de pedestres.

Por preguiça de serem prudentes, muitos pedestres morrem.

Do observar

 Usufruir de prazer artístico requer tempo e paciência. No ritmo e brevidade que marca a vista de tantas pessoas a galerias e museus não se tem acesso a esse prazer. Ludwig Feuerbach, o mestre de Karl Marx, dizia que muitas vezes a descoberta da beleza de um Quadro depende de dispormos de uma cadeira.

Do Arroio ao Mar

Arroio, regato intermitente; regato, curso de água estreito, pouco volumoso e de pequena extensão; riacho, rio pequeno, mais volumoso que o regato e menos que a ribeira; ribeira, curso de água abundante, menos largo e profundo que um rio; rio, curso de água natural, de extensão mais ou menos considerável, que se desloca de um nível mais elevado para outro mais baixo, aumentando progressivamente seu volume até desaguar noutro rio, numa lagoa, num lago ou no mar; lagoa, lago pouco extenso; lago grande extensão de água cercada de terras; mar, a massa de águas salgadas do globo terrestre, conforme Aurélio.