Arquivo para Abril, 2009

Outono em Curitiba

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Daqui por diante só me ocuparei do individual.

O jornalista Reinaldo Azevedo, notável blogueiro, encerra a resenha do filme As Invasões Bárbaras, que faz parte da coletânea em livro dele intitulado Contra o Consenso, afirmando o seguinte:

Foto André Kertész (1894-1985)

Foto André Kertész (1894-1985)

 

“… se existe saída, ela está na esfera INDIVIDUAL. O coletivo nada mais é do que uma eterna luta renhida. Sem desfecho”.

 

Eu concordo.

 

E concordo numa medida tão profunda que estou decidido a parar de me ocupar com as questões do coletivo, voltando-me inteiramente para aquelas relacionadas ao individual.

 

Com isto quero dizer que daqui por diante me dispensarei de tentar provocar mudanças a partir do coletivo, voltando-me exclusivamente para o individual.

 

Estou absolutamente convencido de que estava muito certo Ludwig Wittgenstein quando dizia que a única coisa que podemos fazer para melhorar o mundo é melhorar a nós próprios.

 

Amplio o afastamento das coisas da política, dos políticos; afastamento referido no texto sobre Conteúdos e atitudes – Ver banner – deste Trevo do Talvez.

 

Para não sair à francesa, fiz as anotações que se seguem a propósito de notícias recentes sobre gastos com ligações telefônicas de senadores e com reforma de apartamentos de deputados federais.

 

Para compreender e para combater políticos

 

Não se sentem culpados; julgam que estão sendo remunerados pelos serviços que prestam.

 

No máximo admitem que cobram caro por suas reais preocupações com o bem-estar coletivo.

 

Pelas virtuais, também.

 

O que abominam é se sentirem constrangidos.

 

Daí o empenho da maioria em limitar ao máximo a liberdade de expressão.

 

Engano imaginar que são indiferentes ao ridículo; quase ninguém o é.

 

Do conjunto da humanidade, aqueles que o são não devem somar nem um por cento.

 

Nesta e em outras partes do planeta o comportamento em questão tem raízes históricas.

 

Cito Octavio Paz na biografia de Sóror Juana Inês de la Cruz:

 

“A Nova Espanha era uma sociedade na qual o príncipe considerava o governo seu patrimônio privado e os funcionários seus servidores e familiares”.

 

No Brasil, o Novo Portugal, também o era.

 

Segue sendo em grande medida.

 

Está certo Chamfort quando escreve que “apesar de as corporações (parlamentos, academias, assembléias) se degradarem, elas acabam por se manter graças à sua massa e nada podemos fazer contra elas. A desonra, o ridículo resvalam nelas, como as balas de fuzil sobre o couro de um javali ou de um crocodilo”.

 

Realmente.

 

Generalizada, a crítica mais radical não atinge ninguém, não muda nada. Gumercindo Bessa (1859-1913), o advogado sergipano cujo saber jurídico deu origem à expressão Bom a bessa, tinha por princípio que nada se faz contra as opiniões se não forem atacadas as pessoas.

Outono no Paraná

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