
Arquivo para Abril, 2009
Daqui por diante só me ocuparei do individual.
Publicado Abril 13, 2009 1 Deixar um ComentárioTags: André Kertész, coletivo, Contra o Consenso, individual, Reinaldo Azevedo
O jornalista Reinaldo Azevedo, notável blogueiro, encerra a resenha do filme As Invasões Bárbaras, que faz parte da coletânea em livro dele intitulado Contra o Consenso, afirmando o seguinte:

Foto André Kertész (1894-1985)
“… se existe saída, ela está na esfera INDIVIDUAL. O coletivo nada mais é do que uma eterna luta renhida. Sem desfecho”.
Eu concordo.
E concordo numa medida tão profunda que estou decidido a parar de me ocupar com as questões do coletivo, voltando-me inteiramente para aquelas relacionadas ao individual.
Com isto quero dizer que daqui por diante me dispensarei de tentar provocar mudanças a partir do coletivo, voltando-me exclusivamente para o individual.
Estou absolutamente convencido de que estava muito certo Ludwig Wittgenstein quando dizia que a única coisa que podemos fazer para melhorar o mundo é melhorar a nós próprios.
Amplio o afastamento das coisas da política, dos políticos; afastamento referido no texto sobre Conteúdos e atitudes – Ver banner – deste Trevo do Talvez.
Para não sair à francesa, fiz as anotações que se seguem a propósito de notícias recentes sobre gastos com ligações telefônicas de senadores e com reforma de apartamentos de deputados federais.
Para compreender e para combater políticos
Não se sentem culpados; julgam que estão sendo remunerados pelos serviços que prestam.
No máximo admitem que cobram caro por suas reais preocupações com o bem-estar coletivo.
Pelas virtuais, também.
O que abominam é se sentirem constrangidos.
Daí o empenho da maioria em limitar ao máximo a liberdade de expressão.
Engano imaginar que são indiferentes ao ridículo; quase ninguém o é.
Do conjunto da humanidade, aqueles que o são não devem somar nem um por cento.
Nesta e em outras partes do planeta o comportamento em questão tem raízes históricas.
Cito Octavio Paz na biografia de Sóror Juana Inês de la Cruz:
“A Nova Espanha era uma sociedade na qual o príncipe considerava o governo seu patrimônio privado e os funcionários seus servidores e familiares”.
No Brasil, o Novo Portugal, também o era.
Segue sendo em grande medida.
Está certo Chamfort quando escreve que “apesar de as corporações (parlamentos, academias, assembléias) se degradarem, elas acabam por se manter graças à sua massa e nada podemos fazer contra elas. A desonra, o ridículo resvalam nelas, como as balas de fuzil sobre o couro de um javali ou de um crocodilo”.
Realmente.
Generalizada, a crítica mais radical não atinge ninguém, não muda nada. Gumercindo Bessa (1859-1913), o advogado sergipano cujo saber jurídico deu origem à expressão Bom a bessa, tinha por princípio que nada se faz contra as opiniões se não forem atacadas as pessoas.
