Faz parte do folclore nacional o emprego do adjetivo MALEMOLENTE para descrever o povo baiano. O emprego do adjetivo PREGUIÇOSO com o mesmo objetivo, por sua vez, além de não corresponder à realidade, caracteriza uma ofensa.

Escultura em bronze de Carybé - "Mãe baiana" (1984)
A frase acima, transcrita na íntegra, é de autoria do secretário de Cultura do Estado da Bahia, Márcio Meirelles, e faz parte de um texto dele publicado no catálogo da atual exposição, no Museu de Arte Moderna da Bahia, em Salvador, de obras do argentino Hector Julio Paride Bernabó.
Para os poucos que não sabem, trata-se de Carybé, notável e multifacetado artista a quem Deus não concedeu “a graça de nascer na Bahia”, conforme ele declarou certa vez a uma pessoa que lhe perguntou se era baiano.
Que o secretário de Cultura do Estado da Bahia não sabe falar em público eu já sabia. Neste sábado, 16, ao folhear o referido catálogo, fiquei sabendo que, a rigor, também não sabe se expressar por escrito.
Para se convencer disso, basta ler o que ele escreveu.
E prefiro pensar que ele desconhece o real significado do adjetivo PREGUIÇOSO.
P. S. 1 A título de esclarecimento: Adjetivo e substantivo masculino, de acordo com o Dicionário Houaiss, PREGUIÇOSO é 1 – o que ou aquele que tem preguiça; mole, desanimado, indolente; 2 – o que ou aquele que não trabalha ou estuda; vadio, malandro, mandrião; 3 – o que ou aquele que faz as coisas com vagar e sem muito empenho ou capricho.
Adjetivo de dois gêneros, MALEMOLENTE, por sua vez, é um regionalismo que significa o que demonstra ou em que há MALEMOLÊNCIA.
É o seguinte o conjunto de significados de MALEMOLÊNCIA citados pelo dicionarista: 1 – Ausência de disposição; moleza, indisposição; 2 – má sorte; caiporismo, desdita; 3 – calma excessiva; falta de empenho; fleuma, pachorra; 4 – Ardil ou desculpa para evitar (algo); subterfúgio, pretexto; 5 – Jogo de atitudes, gestos, jeito de falar ou mover-se que denota qualidades diversas, mas consideradas positivas (como a manha, a malícia, a elegância, a destreza), de alguém; molejo.
No campo da música, MALEMOLÊNCIA tem estes significados: ritmo gingado, característico da interpretação de certos cantores de samba, dançarinos, ou modo característico de portar-se dos antigos malandros; molejo.
MALEMOLÊNCIA é, portanto, coisa distinta de PREGUIÇA.
P. S. 2 A propósito de preguiça, nas páginas centrais do catálogo da exposição, que comemora os 70 anos da primeira viagem de Carybé a Salvador, lê-se o seguinte depoimento dele: “Sou um operário do pincel e trabalho uma média de quatorze horas por dia e não me desligo. É um trabalho que continua na cabeça, de noite. A famosa vida de artista é filha da mãe de trabalho, não tem nada a ver com que o pessoal pensava em 1890, de Toulouse Lautrec, de farras, música e cabaré. O que existe é trabalho, treino, porque, se você pára de trabalhar, esquece, perde a prática. Para mim, inspiração é o dia em que amanheço melhor e as coisas saem com mais facilidade. Artista tem que dormir as horas necessárias e se alimentar bem”.
P. S. 3 Para quem deseja avaliar a arte de se expressar por escrito do secretário de Cultura do Estado da Bahia, eis, na íntegra, ipsis litteris, o texto do catálogo.
“OS INVENTORES DA BAHIA
Carybé, junto com Amado, Caymmi e Verger, é responsável por alimentar o nosso imaginário, e o do mundo, com as imagens de uma Bahia reinventada.
Nós, baianos, assumimos essa identidade e seguimos nos reconhecendo como parte da criação desses artistas que passaram a ser nossos representantes. Nos reconhecemos em Nacibs, Gabrielas, admiramos João Valentão como nosso herói, cobiçamos Doras e Marinas morenas, achamos que é doce morrer no mar e seguimos sendo, para o bem e para o mal, parte iconográfica de uma mitológica Bahia, toda adjetivada. Nos acostumamos a ser esse povo acolhedor, alegre, hospitaleiro, malemolente, sensual, preguiçoso…
Houve uma Bahia cujo povo oscilava entre a cultura da natureza e a cultura do urbano, houve uma Bahia que serviu, por um tempo, para criar essa identidade e seus símbolos. A obra de Carybé soma-se às de seus companheiros de geração, também artistas, e nos representa, através de seu traço inconfundível, como a palavra, a música e a fotografia dos outros conseguiram fazer de maneira tão peculiar.
Hoje, somos outros, mudamos com o mundo, e percebemos que ele se transformou, que a aldeia global se fez carne e pixels e habitamos nela. Assumimos que nosso umbigo é importante, mas não é tudo e buscamos o que somos em nossa diversidade barroca e contemporânea, mas também no outro. Se queremos botar nosso pé no mundo e nos mostrarmos inteiros, a obra dos inventores da Bahia – Carybé e sua geração – precisa ser revisitada e homenageada para que possamos nos conhecer.
E o Fundo de Cultura hoje proporciona recursos para que a exposição desse grande artista aconteça. Só temos a comemorar. Carybé é patrimônio da Bahia. Sua obra, da qual somos fruto, é também fruto nosso.”
concordo viajei p vitoria da conquista e e varios lugares quando cheguei p comprar um simples lanche
o bahiano fica pro chao a fora , nao atende bem , e a comida e de pessima qualidade , isto retrata um termo bem nitido ( preguiça ) isto se ve em todo estado literalmente , nao adianta vir as desculpas mas e a verdade
tive saudades da comida mineira .