Sua vida é uma Rosa azul

O título deste post faz parte da abertura de um livro que me ocupa de modo intermitente há quase 30 anos e que se encontra em fase final de elaboração. A decisão de escrevê-lo está relacionada com a apresentação, nesta segunda-feira, 19, em Tóquio, da primeira Rosa azul.

Os criadores da Rosa informaram que em sete dias ela teria tons azulados e que 100% dos pigmentos de suas pétalas são azuis. Foto Celia López/Efe

Os criadores da Rosa informaram que em sete dias ela teria tons azulados e que 100% dos pigmentos de suas pétalas são azuis. Foto Celia López/Efe

Juntamente com milhares de pessoas em todo o planeta, aguardo-a desde 1991, quando foi noticiado o domínio do processo que resultou no cultivo dessa espécie de flor tão bela na cor preferida do homo sapiens.

O fato tem para mim importância especial, que agora compartilho com todos que passam por este Trevo do Talvez, transcrevendo a abertura do meu livro e, na seqüência, um breve histórico sobre a criação da rosa azul, que se encontra ao final dele, seguido de um P. S. sobre a cor azul.

 Ao definir a relação entre arte e natureza,

dizendo que a arte se inventou

para preencher as lacunas da natureza,

Aristóteles antecipou em dois mil e trezentos anos

o insight de Oscar Wilde: ‘A vida imita a arte’

Sua vida é uma Rosa azul *

* Meta milenar de floricultores de todo o planeta, a Rosa azul tornou-se viável em 1991, graças ao trabalho de pesquisadores australianos, da Calgene Pacific, associados com empresários japoneses, da Suntory Limited, uma multinacional de bebidas.

Obtida por engenharia genética, seus criadores pretendiam denominá-la “O cálice sagrado da floricultura”, escolha que até um poetastro teria desaconselhado.

Prevaleceu o interesse comercial e ela foi denominada “Suntory Bleu Rose Applause”, denominação que me recuso a comentar e a traduzir.

O maior obstáculo à sua produção é que a Rosa não tem nenhum gene associado ao pigmento azul. Para conseguir a nova cor, os pesquisadores isolaram o gene que dá essa tonalidade à Petúnia e o transferiram para uma roseira.

Curiosamente, em 1838 o escritor Honoré de Balzac (1799-1850) proclamou haver descoberto uma forma de produzir a Rosa azul, pela qual as sociedades hortículas de Londres e da Bélgica haviam oferecido um prêmio de 500 mil francos.

Em resposta à escritora George Sand (1804-76), interessada em saber por que não se dedicava ao lucrativo empreendimento, o autor da Comédia Humana declarou: “Ah, porque tenho tanta coisa para fazer”.

P. S. A evidência mais antiga de vida na Terra são os estromatólitos, estruturas calcárias formadas por algas azuis há 2,8 bilhões de anos. Estudos recentes, realizados por pesquisadores dos Estados Unidos, Austrália e Reino Unido, recuaram a presença dos primeiros animais no planeta em mais de 100 milhões de anos: são as Esponjas, invertebrados muito simples, que parecem plantas. Foi constado que entre 635 milhões e 750 milhões de anos atrás eles já se agarravam ao leito marinho, em Omã, no sul da Arábia.

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