Aviso aos navegantes: não sou poeta.
E também não sei contar sílaba poética; nem estou interessado em aprender.
Sei que os acadêmicos denominam haicai um poema de três versos com determinado número de sílabas. Eu me permito denominar haicai os poemas breves que aprendi a escrever lendo, entre outros haicaístas notáveis, Bashô, de quem tomei este conselho:
“Não se empenhe em fazer aquilo que eu fiz, mas em procurar aquilo que eu procurei”.
Para quem não sabe, trata-se da mais importante contribuição dos japoneses à expressão poética em todos os tempos.
A propósito das comemorações, este ano, do centenário da sistemática imigração dos primeiros deles para o Brasil, estarei publicando neste Trevo do Talvez alguns dos haicais que escrevi ao longo dos últimos 30 anos.
Para começar, um tríptico relacionado com o Verão em curso no Brasil.
Verão – caetaneando de amarelo
ruas, praças, quintais e jardins,
despetalam-se as Acácias.
Quente, sol de Verão;
alva e perfumada,
chuva de flor de Alfena.
O Assanhaço aproveita o espaço
no alvoroço dos automóveis e manda ver:
Verão, manhã de sol.