Textos categorizados 'Bashô'

Uns haicais para comemorar o centenário da imigração japonesa

Aviso aos navegantes: não sou poeta.

E também não sei contar sílaba poética; nem estou interessado em aprender.japao-1a.jpg

Sei que os acadêmicos denominam haicai um poema de três versos com determinado número de sílabas. Eu me permito denominar haicai os poemas breves que aprendi a escrever lendo, entre outros haicaístas notáveis, Bashô, de quem tomei este conselho:

“Não se empenhe em fazer aquilo que eu fiz, mas em procurar aquilo que eu procurei”.

Para quem não sabe, trata-se da mais importante contribuição dos japoneses à expressão poética em todos os tempos.

A propósito das comemorações, este ano, do centenário da sistemática imigração dos primeiros deles para o Brasil, estarei publicando neste Trevo do Talvez alguns dos haicais que escrevi ao longo dos últimos 30 anos.

Para começar, um tríptico relacionado com o Verão em curso no Brasil.  

Verão – caetaneando de amarelo

ruas, praças, quintais e jardins,

despetalam-se as Acácias. 

Quente, sol de Verão;

alva e perfumada,

chuva de flor de Alfena.

O Assanhaço aproveita o espaço

no alvoroço dos automóveis e manda ver:

Verão, manhã de sol.