Textos categorizados 'revolta'

A pior consequência da revolta é tornar o sofrimento inútil

Escrevo também que o estúpido bem-intencionado causa tanto dano quanto o irresponsável lúcido; com a desvantagem de não saber disso.

Isto vale igualmente para o inculto e se aplica como uma luva ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

É compaixão o que sinto quanto constato através das freqüentes declarações estapafúrdias que hoje o caracteriza o quanto ele sofre por não ter estudado mais.

E constato que entre os formadores de opinião poucos são transigentes com os muitos equívocos dele que decorrem diretamente da falta de cultura.

Da falta de cultura efetiva e não da cultura inserida no conceito folclórico e eleitoreiro segundo o qual tudo é cultura e que não basta sequer para impor respeito à famosa “lagoa escura arrodeada de areia branca” localizada na Bahia, onde ele é componente subjacente de uma campanha oficial.

 

Incapazes de compreender que a necessidade de moradia para elas não é necessariamente mais importante do que a preservação da área onde está localizada a referida lagoa, na semana passada – e não é a primeira vez que isto acontece – dezenas de pessoas construíram barracos sobre as areias eternizadas nos versos escritos e cantados por Dorival Caymmi.

Mais interessados em iludir do que em instruir, os mentores da campanha da Secretaria da Cultura não se deram conta de que a tese de que tudo é cultura não leva o ignorante a respeitar aquilo que efetivamente é cultura.

Conforme se viu, para muitos a Lagoa do Abaeté, por exemplo, não é.

E foi preciso chamar a Polícia.

 

Decidi escrever este post após ler no site da Revista Consultor Jurídico, no último dia 20/5/2008, uma matéria sob o título “Lula diz que Justiça e MP emperram desenvolvimento”, na qual se informa que durante cerimônia de assinatura de atos relativos a obras do Programa de Aceleração de Crescimento na Baixada Santista ele “reclamou e pressionou o Judiciário, o Ministério Público e o Legislativo pela desburocratização e por agilidade no licenciamento ambiental de obras”.

Singelamente, vamos dizer assim, ele se queixou de que uma palavra errada num projeto pode atrasar a tramitação da obra em muitos meses, como se uma palavra certa não pudesse transformar os doze mil metros quadrados do Parque Metropolitano do Abaeté numa favela.

Minha solidariedade para com o sofrimento do Presidente que decorre diretamente da ignorância dele – afinal, talento sem cultura é ouro lá na mina – foi despertada pela frase final do último parágrafo da referida matéria, que é o seguinte:

“Para finalizar, o presidente Lula atacou as Câmaras de Vereadores, Assembléias Legislativas, a Câmara dos Deputados e o Senado. Para o chefe do Excutivo brasileiro, “muitas vezes eles aprovam coisas achando que estão resolvendo e, na verdade, estão atrapalhando”. Só faltou dizer que o Executivo é o único que funciona e que este país nunca teve outro igual.”